sexta-feira, 11 de março de 2011

Epá porra - Agora a culpa da geração à rasca é dos pais?

Está tudo doido, está tudo completamente parvo!

Vamos lá por pontos.
- Portugal neste momento tem a geração mais qualificada. Certo- Malta da geração à rasca cresceu com a mítica frase "se não estudares nunca vais ser ninguém nesta vida". Certo - Portugal está em crise. Certo- Há por ai cursos/licenciaturas que no mercado de trabalho não servem para nada. Certo e Errado- As empresas aproveitam jovens licenciados para lhes dar falsas esperanças, mas não lhes pagam. Certo- Portugal tem uma população envelhecida. Certo- A geração à rasca é o próximo futuro. Certo

Afinal de quem é a culpa????????
A culpa minha gente é da situação caótica em que o país está. Tenho lido muita coisa acerca deste assunto porque infelizmente faço parte do rótulo da geração à rasca, é isso mesmo, para vocês que me acompanham sabem que sou recém licenciada e que ando a xuxar no dedo há uma data de meses.
Somos a geração mais qualificada deste país, temos conhecimentos e força para trabalhar/aprender mas não nos querem pagar, e ainda há alminhas que acham que isto está certo, desde quando é que as pessoas TRABALHAM e não lhes pagam? desde quando? Sei de colegas com menos formação que eu ,12º ano, e têm um trabalho são renumerados tem um contrato de trabalho. E os jovens mais qualificados???? tem menos direitos porquê? É por isso que a música dos deolinda diz e muito bem "que parva que eu sou" é verdade. 
Voltando á raiz do "problema" eu cresci com uma única opção de vida ou estudava para "ser alguém" ou então ia trabalhar para o super mercado, como a opção do super mercado não me dava grande futuro lá decidi que ia passar 15 anos da minha vida a estudar. Tive a sorte de ter uma vocação e de me pagarem o curso que eu queria na faculdade que eu queria, uma grande despesa, um grande esforço financeiro, uma grande esforço emocional mas sobretudo com a esperança que este esforço vai ser "recompensado" porque nós da geração á rasca crescemos com alguns exemplos de "doutores" perto de nós.. Até ouvíamos "olha estas a ver fulano tal é licenciado e agora ganha X já comprou casa e já tem carro e vai se casar blablablabla" pois mas isso era nos anos 90 em que ser doutor neste país garantia alguma coisa, agora nada garante. Neste momento andamos todos a procura do mesmo, porque crescemos com a ideia de que íamos ter uma vida boa com um canudo na mão, pois mas a realidade chegou e não temos direito A NADA, até os marginais, os chungas essa merda de gente que anda ai tem direito a subsídios sociais tem direito a dinheiro na conta bancaria sem fazerem nada da vida e nós que somos uma mais valia para este país atrasado, a única coisa que temos direito é andar a chular os país porque, este país não abre o mercado de trabalho com as devidas condições. Sei que também que há jovens não licenciados a passar por este drama, se anda mau para os licenciados para o pessoal com menos qualificações pior, mas mesmo assim acredito que estes arrangem trabalho com maior facilidade, visto que há empregos que "não aceitam licenciados".

Agora façam-me um favor e não me venham dizer que a culpa é dos pais, porque não é. A geração dos nossos pais fizeram aquilo que TODOS os pais deviam ter feito, assegurar o futuro dos filhos com um grau superior, fizeram aquilo que não tiveram oportunidade de ter. e graças a eles é que Portugal tem a geração mais qualificada que agora está ali desprezada e escravizada sem se quer  ter direito a pensar em serem autónomos e independentes financeiramente. É assim ficamos na casa dos pais para sempre, à espera que exista condições sólidas para abandonarmos o ninho.

Depois vem a conversa dos cursos, em que concordo em parte. Não sei o que uma licenciatura em Estudos Africanos pode ser uma mais valia, juro que não sei.. mas se alguém me souber dizer fico grata. Quem diz esta licenciatura diz ouras tantas que andam ai, coisas como artes musicais e essas coisas que pelo que sei não dão acesso ao mercado de trabalho. Esse tipo de licenciaturas nem deviam existir, as pessoas só vão para lá para que? para serem "licenciadas" ena pá que satisfação. Cada vez mais os jovens devem ter consciência daquilo que o mercado de trabalho precisa, e não se me meterem à toa em cursos que não são necessários no mercado de trabalho, lá porque é mais fácil não significa que seja o melhor.

Mas eu acho que esta questão nem se coloca mais.. Porque infelizmente o mercado de trabalho está saturado e não dá resposta a nada, mal a mal ás Engenharias e à Medicina. Que na minha opinião não sofrem com esta crise. De resto está tudo na merda.

E pronto agora como estou exaltada vou tomar um XANAX. e enviar 3256541646540540456043041125 Currículos :) Quem sabe um dia não me meto da droga e vá pedir apoios sociais, ao menos sempre podia comprar um par de cuecas sem pedir aos meus paizinhos queridos.

9 comentários:

teardrop disse...

Subscrevo. E quem quiser atirar pedras, feel free!

Ana'Space disse...

Passiflora arkocápsulas é muito bom para os nervos :P
Como eu te entendo! Não fizesse eu parte deste grupo também :/

Anna*

Strawberry disse...

Não te metas na droga! Afinal de contas precisas de saúde para andar depois nos cafés a gastar o dinheiro que a segurança social te dá! Faz antes um filho, isso só custa o primeiro, depois começas a ver que é fácil! (-.-')
Eu não fui para a universidade porque tinha a perfeita noção que ia gastar rios de dinheiro para no fim não ter garantias de nada! E posso te dizer que enquanto estagiei todos os trabalhadores que lá estavam, estavam a recibos verdes. Também sabes que se fores trabalhar e tiveres uma mão cheia de estudos não te aceitam porque são obrigados a pagar muito mais, portanto mais vale colocar pessoas com o 9º ano que até dão alguma para a caixa...
E depois o mais engraçado é que se tiveres o 12º ano mas quiseres tirar um outro curso qualquer tens de pagar, mas se fores uma daquelas pessoas que sempre se lixou para o estudos, eles ainda te pagam só para andares lá a assistir a aulas. Enfim, é tudo super lindo neste país.
Mas a verdade é que os jovens de hoje não aceitam qualquer coisa, quer tenham ou não tenham estudos! Querem sempre ganhar muito bem a fazer quase nada. Qual trabalho duro qual quê.
Não sei onde é que os pais têm culpa neste caso. Aliás, acho que uma coisa nem tem a ver com outra.
Eu não sei mas ainda tenho esperanças que isto mude, apesar de achar que não, que vai mesmo de mal a pior. Sempre podes sair do país. Há trabalho lá fora! Mais tarde ou mais cedo é o que a maioria das pessoas vai fazer, visto que o país está mal a todos os níveis. Como podemos estar a trabalhar se corremos o risco de termos uma arma apontada à cabeça? Este país vai mal, muito mal. E se quem pode não o muda, não vão ser o "pequeninos" a fazê-lo...

Mia disse...

teardrop - Por mim podem tirar as pedras que quiserem, nao tenho o "cu cheio" é por isso que falo em nome de todos os jovens á rasca.

Ana'Space - isto tem que mudar anna, nao acredito que a nossa formaçao fique assim ao abandono!

Strawberry - Ter estudos nos dias de hoje pode nao ser uma garantia mas o futuro ainda ninguem o vio, e a minha sabedoria ninguem me tira. Acho que tens razao qd falas da mao cheia de estudos, neste momento nao faz sentido apostar num mestrado, o mercado de trabalho nao consegue corresponder. um dia quero tirar um mestrado, mas nao agora!
Em relaçao ao trabalho bem eu mereço ganhar de acordo com a minha posiçao no mercado, se sou licenciada é obvio que tenho que ganhar mais que o zé que nao quis estudar que nunca quis fazer nada pela vida. o problema aqui é que metem as pessoas todas no mesmo saco e nao é justo nada justo mesmo. Cada um tem o seu valor e eu acho que neste momento alguem tem que por mao nisto.

bjs

Strawberry disse...

Mia mas por essa mesma razão, por teres todo o direito de ganhar mais do que alguém que nunca fez nada pela vida, é que ninguém te quer (quando digo isto estou a referir-me a todos os jovens que se fartaram de estudar!) Não querem porque sabem que têm de pagar mais do que ao "zé que sempre se baldou". Por isso mesmo os Zés recebem sempre, seja lá de onde for e os outros ficam a olhar... É triste mas é a realidade do nosso país!

Helena (All About My Nails) disse...

Olá Mia.
Olha, deixa-me dizer que simpatizo muito contigo, mas em questão de sociedade, discordo muito com as tuas ideias, pah :)
Vocês deviam ter sensibilidade quando falam das pessoas que não têm estudos universitários. É que tenho o 12º ano, pode não ser uma licenciatura ou um bacharel, mas é um curso, e deve ser tão respeitado como os outros, pois ir para a univ é apenas uma opção. Na minha opinião, só devia ir para a univ quem tivesse cabecinha para o estudo. Hoje em dia, em certas áreas, entra-se com médias de 11 ou 12, e se não se entra, reclama-se porque o estado não dá oportunidades aos que não têm capacidade para as médias pedidas, coitadinhos, estudassem! Isso é que fazia ou devia fazer os licenciados especiais.
Depois há uma realidade, Mia, que não deves negar, que há muito licenciado qeu reclama de barriga cheia, vivem em casa dos pais, provavelmente têm carro, saídas à noite, vão às compras ao fds, etc e tal. E isso não é estar à rasca. Isso são pessoas convencidas que o estado tem que lhes dar tudo o que lhes pedem. Uma coisa é não ter $ para comer ou pagar a luz. Outra coisa é não ter $ para sair, por exemplo.
Acho mais chocante uma pessoa que trabalhou a vida inteira continuar a ganhar o ordenado minimo, do que um recem licenciado ganhar o minimo num 1º emprego. E já vieram queixar-se a mim que €1.000 não chega. What? Eu já trabalhei por €400, como não chega? Eu fico escandalizada é com isto, tu não?!
Na altura não achava piada (porque nao eram trabalhos faceis e ganhava MUITO mal), mas olhando para trás aprendi muito nos meus trabalhos "pouco qualificados" e todos eles me deram a experiencia que tenho a certeza que nenhum curso superior me daria.
Já trabalhei nas limpezas de lares, hospitais e farmácias, na loja tribo a arrumar prateleiras, a registar dados no computador, trabalhei numa recepção de escritorios onde até lavava o chão quando era preciso, e hoje sou escrituraria.
Tou a ser sincera, sinto que nunca tive dificuldades em arranjar trabalho. Sinto-me humilde por ter começado por baixo, agarrei-me ao que vinha 1º, só para não estar desempregada (e nunca estive). Achas que eu queria ser empregada de limpeza para sempre, levantar-me às 5h, chegar a casa às 21h, para ganhar €350? Obvio que não, mas achei melhor do que não ter trabalho.
Acho que o que falta neste país é Humildade para começar no 1º degrau.
Kiss

Mia disse...

Helena (All About My Nails) - Ola Helena! Bolas isso é que foi dar ao dedo.. xiça xD fico muito feliz em dares a tua opiniao e felizmente nem todos partilhamos das mesmas opinioes, porque todos nos temos historias de vida diferentes!!! :) sabes eu tb compreendo o teu lado, mas como deves calcular cada um pucha a brasa a sua sardinha, nao desvalorizo nada nem ninguém só acho que todos devemos ter os mesmos direitos, licenciados ou não. Sim admito que as vezes sou demasiado limitada no que digo, mas é a vidinha se fosse uma gaja normal e cheia de moralismos tinha ido para freira muahahhaha.. Olha concordo contigo quando falas das médias, é uma vergonha existirem cursos com essas médias..ainda para mais sem funcionalidade nenhuma no mercado de trabalho..
Em relaçao aos meninos ricos licenciados, olha nao podemos meter todos os licenciados e desempregados no mesmo saco.. ha de tudo, mas a realidade é que são mais os desempregados necessitados do que aqueles que andam ai de barriga cheia! Mais uma vez obrigada por dares a tua opinião, será sempre bem vinda :) beijinhos

Lfscoutinho disse...

Olá,

Hoje num fórum de programação fiquei bastante irritado por uma situação que não vou estar a explicar e queria falar sobre uma coisa que a "geração à rasca" muito falou, mas não me lembrava da palavra-chave "qualificada". Então quando pesquisei por "geração à rasca" apareceu-me este teu post que li e achei bastante interessante, bem como os comentários. Como tal, não resisti a deixar a minha opinião.

Em Março fiz 20 anos e tenho o 12º ano incompleto. Porquê? Porque eu "tirei" o Curso Profissional de Informática de Gestão, mas ao fim dos 3 anos tinha 14 módulos por fazer. No ano seguinte (este ano que está a decorrer) fui-me inscrever na escola para ir terminar para ficar com o 12º, mas ao fim de 4/5 aulas fartei-me daquilo. Fartei-me porque um dos grandes problemas começa nos professores e é bastante decepcionante quando reparas que os teus próprios professores não têm capacidade para te ensinar nada, porque tens mais conhecimentos que eles, olhas para os teus colegas e os vês a todos desinteressados em aprender, apenas preocupados em irem para o Facebook, Hi5, jogar, etc.

Depois, juntando isso ao saber que em muitos sítios recusam dar emprego a licenciados e que estamos a pouco tempo de se começar a recusar oferecer trabalho a pessoas com o 12º ano, decidi desistir da escola e continuar a estudar em casa como sempre fiz, pois sou um autodidacta.

Como autodidacta, aprendi tudo o que sei hoje sobre programação sozinho sem ajuda de ninguém, apenas do grande mundo que é a internet e por isso costumo dizer: "Ser autodidacta é ser diferente: é ser melhor!". E digo isto porquê... porque o grande problema é que as pessoas ultimamente têm dito muitas vezes "somos a geração mais qualificada", mas esquecem-se que quando se referem a ser qualificados referem-se a ter um papel a dizer que têm o 9º, 12º, uma engenharia ou um doutoramento, etc. e não a ter conhecimentos.

Hoje, a maioria das pessoas só está preocupada em ter um papel a dizer qual a escolaridade que tem, em vez de se preocupar em estudar, saber mais, ser melhor, etc. e este é o GRANDE PROBLEMA DA NOSSA GERAÇÃO.

Como falaste e muito bem, na minha opinião, relativamente a certas licenciaturas como "Estudos Africanos" e muitas outras que andam para ai, eu só tenho a dizer que são uma palhaçada e mais palhaços são quem as tira. Mais, quem tira esse tipo de licenciaturas, devia-se calar e ter vergonha de ter isso. Essas licenciaturas deviam ser tiradas como um hobby e não como um futuro, a pensar que se vai ter emprego nisso... Mas, enfim...

Por último, relativamente aos salários, empregos, etc...
Há vários anos que dedico todo o meu tempo livre a estudar programação, a internet e o seu desenvolvimento, etc... No entanto, já trabalhei em várias áreas como ajudante de serralharia, operário, limpezas de cafés, etc... No entanto, foram todos trabalhos temporários e a ganhar misérias, mas é preciso aceitar, pois é preciso dinheiro. Nos dias que correm não nos podemos de dar ao luxo de exigir, apenas aceitar o que aparece.

O problema dos dias que correm é que os jovens estão preocupados em ter um emprego e para isso sim, o mercado está saturado. Agora, quem quiser trabalho arranja facilmente, e para isso o mercado não está nada saturado!

Se todos fossemos autodidactas como fomos em tempos em que a escola era um privilégio e não um direito/obrigação, seriamos um país bastante melhor.

Continua...

Lfscoutinho disse...

Continuação...

Basta olharmos para os nossos pais e avós. Os nossos avós sabiam todos os segredos da terra, da lua, das marés, etc. e ninguém lhes ensinou, foram aprendendo ao longo da vida... Os nossos pais, poucos têm mais que o 4º ano, no entanto, foram capazes de aprender sozinhos e hoje em dia são grandes construtores civis, pedreiros, calceteiros, mecânicos, canalizadores, soldadores, polícias, médicos, advogados, etc. Foram capazes de meter uma ditadura abaixo e melhorar o país... E porquê? Porque se interessavam em aprender mais, serem melhores, mais felizes e terem filhos e darem-lhes uma vida melhor que eles tiveram.

E hoje? Hoje as pessoas só se preocupam em saber o que lhes é dito na escola, não se preocupam em saber mais do que lhes é dito e nem isso, apenas se preocupam em saber o mínimo, o suficiente para chegarem a um exame e tirarem 10. Só pensam em andar bem vestidos, sair à noite, beber uns copos, engatar uma rapariga/rapaz, ir à praia...
Aprender é uma coisa que não lhes dá prazer... Enfim, depois querem que o país ande para a frente.. Não é possível, no que toca a evolução, o nosso país parou desde que ir para a universidade foi uma coisa que se tornou fácil e que para além disso é visto como um tempo bem passado: conhecer gente, sair todos as noites, ir às queimas e enterros de norte a sul do país, etc. E não como tempo de aprender, tempo para ser melhor.

E, por isso, é que desisti da escola. Porque neste momento, ter um doutoramento não significa ser melhor que alguém que tem apenas o 4º, 6º, 9º ou 12º ano. Ter um doutoramento, nos dias que correm é uma coisa banal e qualquer pessoa o pode ter com pouco esforço.

Enfim, podia ficar aqui a escrever durante uma semana toda e não sei se me iam perceber, mas ok. Espero que se alguém se deu ao trabalho de ler tudo o que escrevi que tenham percebido, pelo menos, alguns do meus pontos de vista.